Dengue: tudo o que você precisa saber!

Tempo de leitura: 6 minutos

Homem adulto sendo vacinado contra a dengue, por profissional capacitado.
Vacina para dengue!

A dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus, ou seja, vírus transmitidos por picadas de insetos, normalmente mosquitos. Por isso, é uma efemeridade típica de regiões tropicais e subtropicais e é propensa a surtos imprevisíveis, que ocorrem quando o inseto transmissor se reproduz de forma descontrolada.

A dengue não é uma doença contagiosa, mas pode ser transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (seu principal vetor), durante todo o seu ciclo de vida, ou seja, ao picar uma pessoa infectada, o mosquito pode disseminar a doença durante seis a oito semanas. Ainda assim, casos de transmissão vertical (da gestante para o feto) e por transfusão sanguínea já foram registrados.

Estima-se que ocorram anualmente cerca de 100 milhões de episódios da doença em todo o mundo, levando a internações e óbitos. No Brasil, a maior parte dos casos concentra-se na região Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, que juntas somam 93% dos casos registrados em 2018.

Existem quatro sorotipos do vírus (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4). Em geral, um predomina a cada ano, mas é muito difícil saber de antemão qual deles será. Enquanto o sorotipo 1 foi o principal causador da dengue em 2015 e 2016, o sorotipo 2 apareceu na maioria dos casos registrados em 2017 e 2018. Depois de muitos anos sem registro de nenhum caso de contaminação, o sorotipo 4 voltou a circular em alguns estados do Brasil e, por isso, o Ministério da Saúde determinou que todos os casos suspeitos de dengue 4 sejam considerados de comunicação compulsória às autoridades sanitárias no prazo de 24 horas.

A pessoa que é infectada por um sorotipo fica imune contra ele, mas ainda pode ser contaminada com os outros sorotipos. A cada reincidência da dengue, o risco de ter complicações mais graves da doença aumenta.

Tipos e sintomas

A dengue pode ser separada em quatro tipos, de acordo com sua gravidade: assintomática, clássica (benigna), com sinais de alarme, ou grave. Em populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, o vírus da dengue pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave ou gerar maiores complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa. O diagnóstico pode ser feito por exames laboratoriais ou testes rápidos de 20 minutos, disponíveis em postos de saúde.

Veja quais são os sintomas de cada tipo de dengue:

Dengue assintomática: Como o nome diz, a dengue pode aparecer em indivíduos saudáveis sem apresentar nenhum sintoma. Nesses casos, que são a maioria, a recuperação é comum nos primeiros três a sete dias.

Dengue clássica: É uma forma benigna da doença que não traz maiores riscos e apresenta sintomas similares à uma gripe. 

  • Febre alta com início súbito
  • Dor de cabeça
  • Dor atrás dos olhos, que piora com o movimento deles
  • Perda de paladar e apetite
  • Náuseas e vômitos
  • Tonturas
  • Extremo cansaço
  • Manchas e erupções avermelhadas na pele semelhantes ao sarampo ou rubéola, principalmente no tórax e membros superiores
  • Moleza e dor no corpo
  • Dores nos ossos e articulações

Após 3 a 7 dias, a temperatura cai e os sintomas geralmente regridem, mas a sensação de cansaço e fraqueza pode permanecer durante algumas semanas.

Dengue com sinais de alarme: é caracterizada por alterações na coagulação sanguínea. Além de trazer os sintomas clássicos, pode apresentar, depois do terceiro dia:

  • Sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival e vaginal;
  • Rompimento dos vasos superficiais da pele (petéquias e hematomas).
  • Em casos raros, sangramentos no aparelho digestivo e nas vias urinárias.

Dengue grave: é o tipo mais incomum, mas pode ser letal se não houver atendimento rápido. Os sintomas são:

  • Alterações neurológicas (delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia); aparece após o período de febre;
  • Sintomas cardiorrespiratórios;
  • Insuficiência hepática;
  • Hemorragia digestiva;
  • Derrame pleural.

A principal consequência da dengue grave é o choque hemorrágico, , o que faz com que o coração perca capacidade de bombear o sangue necessário para todo o corpo, levando a problemas graves em vários órgãos e colocando a vida da pessoa em risco. O choque pode levar o paciente a óbito em um intervalo de 12 a 24 horas ou à sua recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada.

Prevenção e vacina

A vacina para a dengue está disponível no Brasil desde 2015, apenas em clínicas particulares e para pessoas entre 9 e 45 anos. Ela previne contra todos os quatro sorotipos da dengue e deve ser tomada em três doses, com intervalo de 6 meses entre elas, mas é recomendada apenas para indivíduos previamente infectados com um dos sorotipos da doença.

A vacina também é contraindicada para pessoas imunodeprimidas ou com alergia grave (anafilaxia) a algum dos componentes da vacina, além de gestantes e mulheres em período de amamentação.

Por ser contraindicada para pessoas sem contato prévio com qualquer sorotipo do vírus, a principal forma de prevenção contra a dengue torna-se a não proliferação de seu mosquito-vetor. Segundo o Ministério da Saúde, 80% dos focos da dengue estão dentro de casa.

As principais recomendações são:

  • Não deixe água parada;
  • Mantenha as lixeiras tampadas e protegidas da chuva. Feche bem o saco plástico;
  • Os potes com água para animais devem ser muito bem lavados com água e sabão no mínimo duas vezes por semana;
  • Mantenha os pratinhos e vasos de planta com areia;
  • Evite ter bromélias e outras plantas que acumulam água, ou retire semanalmente a água das folhas;
  • Mantenha garrafas vazias com a boca para baixo;
  • Mantenha a piscina sempre limpa, mesmo sem uso. Use cloro para tratar a água e filtre periodicamente;
  • Limpe e nivele as calhas. Mantenha-as sempre sem folhas e materiais que possam impedir a passagem da água;
  • Mantenha caixas d’água, cisterna e poços fechados e vedados. Tampe com tela aqueles que não têm tampa própria;
  • Pneus velhos devem ser mantidos em locais fechados e com furos para não acumular água.

Fontes: Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde do Paraná, Portal Dráuzio Varella e Família SBIm.

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