Julho amarelo: mês de luta contra as hepatites virais

Tempo de leitura: 6 minutos

Vacina para hepatites virais!
Vacina das hepatites virais!

Na luta e prevenção contra as hepatites virais o mês de julho foi adotado pelo Ministério da Saúde como o mês para dar visibilidade a doença que é uma das principais causas de câncer no fígado. Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 40.383 casos novos de hepatites virais em 2018 e, no mundo, 1.7 milhões de mortes ao ano são provocadas por complicações dos diferentes tipos da doença.

A hepatite é uma infecção que atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. A campanha de conscientização é um alerta é para que a prevenção se torne um hábito, principalmente para evitar que a doença evolua para seus estágios avançados.

No Brasil, as hepatites mais comuns são as causadas pelos os vírus A, B e C. A hepatite D é rara, mas aparece mais na região norte e nordeste do Brasil, enquanto a hepatite E é mais comum na África e na Ásia.

Por aqui, a hepatite C continua notificando maior número de casos: 13 para cada 100 mil habitantes, enquanto as taxas de hepatite B apresentaram discreta tendência de queda nos últimos cinco anos e a hepatite A vem caindo exponencialmente nos último 10 anos, atingindo 1,0/100 mil habitantes em 2018.

De 1999 a 2018, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 632.814 casos confirmados de hepatites virais no Brasil. Destes, 167.108 (26,4%) são referentes aos casos de hepatite A, 233.027 (36,8%) aos de hepatite B, 228.695 (36,1%) aos de hepatite C e 3.984 (0,7%) aos de hepatite D.

Sintomas

Todas as hepatites costumam ser infecções silenciosas na maioria das vezes, ou seja, não apresentam sintomas. Entretanto, quando presentes, podem ser confundidos com uma virose, pois costumam se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal. 

Em casos mais graves, apresenta pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. No caso da hepatite C, ascite (barriga d’água) e confusão mental podem ser sinais de que a doença atingiu estágios mais avançados.

Veja algumas particularidades de cada doença:

Hepatite A

Causada pelo vírus VHA, é transmitida por via oral-fecal, entre pessoas ou através do consumo de alimentos (especialmente os frutos do mar, recheios cremosos de doces e alguns vegetais) ou da água contaminada. Por isso, sua incidência é maior em locais com saneamento básico precário ou inexistente. A incidência de hepatite A transmitida pelo contato sexual é rara, mas existe.

O VHA pode sobreviver por até quatro horas na pele das mãos e dos dedos.  É também um vírus extremamente resistente às mudanças ambientais, o que facilita sua disseminação, e chega a resistir durante anos a temperaturas de até 20ºC negativos.

Como as outras hepatites, os sintomas são silenciosos ou similares ao de uma virose, mas caso a doença evolua, pode virar uma hepatite fulminante, que leva à necrose maciça e morte das células hepáticas nas primeiras seis a oito semanas da infecção.

Hepatite B

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) transmitida pelo vírus VHB, que tem predileção por infectar os hepatócitos, as células do fígado. Essas células podem ser agredidas pelo vírus diretamente ou pelas células do sistema de defesa que, empenhadas em combater a infecção, acabam causando um processo inflamatório crônico.

O vírus VHB pode sobreviver ativo no ambiente externo por vários dias. Uma pessoa infectada por ele pode desenvolver hepatite aguda, hepatite crônica (ou ambas) e hepatite fulminante,  e depois de alguns anos, pode evoluir para cirrose ou câncer de fígado.

O vírus VHB está presente no sangue, na saliva, no sêmen e nas secreções vaginais da pessoa infectada. Por isso, pode ser transmitido pelo sexo, transfusões de sangue, da mãe para o bebê na gravidez ou parto, ou através de agulhas, seringas e instrumentos de manicure, pedicure e colocação de piercing infectados.

Hepatite C

Causada pelo vírus VHC, a transmissão é muito parecida com a hepatite B: via contato sexual, da mãe para o bebê ou com objetos cortantes e perfurantes infectados. A hepatite C é uma das hepatites virais mais preocupantes, pois a tendência é os pacientes desenvolverem uma forma crônica da doença que leva a lesões graves no fígado.

A evolução da enfermidade costuma ser lenta e o diagnóstico, tardio, e ao contrário das outras hepatites aqui citadas, não possui vacina. Em compensação, é uma das poucas doenças crônicas que podem ser curadas, com índices de mais de 90% de sucesso. Quando não é possível, o tratamento busca conter a progressão da doença e evitar as complicações.

Prevenção

  • Evite comer frutos do mar crus ou mal cozidos;
  • Não coma ou beba em lugares onde você desconhece a procedência ou a preparação;
  • Não compartilhe agulhas e seringas;
  • Exija o uso de materiais esterilizados e descartáveis em estúdios de tatuagem e colocação de piercings, manicures e pedicures;
  • Só faça sexo com o uso de preservativo;
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas, porque o consumo de álcool aumenta o risco de desenvolver as complicações da doença;
  • Tome as vacinas para as hepatites A e B;

Vacina

Como mostram os dados citados no começo deste texto, é visível que as hepatites A e B têm menor índice de mortalidade. Pode-se dizer que elas matam menos pois são preveníveis pela vacina.

A vacina contra Hepatite B deve ser tomada em 3 doses: ao nascer, em formulação isolada, e aos 2 e 6 meses de vida, como parte da vacina hexavalente acelular. Aos 4 meses é recomendada a vacina pentavalente acelular. Na rede pública de saúde são oferecidas 4 doses no primeiro ano de vida .

Adultos que não se vacinaram seguem um esquema de três doses, com intervalo de um ou dois meses entre primeira e a segunda doses e de seis meses entre a primeira e a terceira (0-1 a 2 – 6 meses). Portadores de HIV e imunodeprimidos seguem um esquema especial, com doses reforçadas.

No caso da vacina para Hepatite A, recomenda-se a aplicação rotineira aos 12 e 18 meses de idade. Para adolescentes e adultos que não se vacinaram na infância, as doses devem ser aplicadas com 6 meses de diferença entre elas (esquema 0 – 6 meses).

Outra alternativa para os não vacinados na infância é a vacina combinada contra Hepatite A+B em três doses, no esquema 0-1-6 meses. Ainda que não exista vacina para hepatite C, os portadores do vírus devem receber as vacinas contra hepatites A e B, a vacina contra gripe todos os anos e a vacina contra pneumonia.

Todas as vacinas são recomendadas pelas sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) e estão disponíveis na Imunocamp!

Fontes: Portal SBIm Família, Site Dráuzio Varella e Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2019, do Ministério da Saúde.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *