Qual a relação das vacinas com o câncer?

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Vacinar salva vidas!
Vacinar salva vidas!

O dia 4 de fevereiro marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer, que é a segunda principal causa de morte no mundo. Estima-se que a doença seja responsável por 9,6 milhões de mortes ao ano. A nível global, uma em cada seis mortes estão relacionadas ao câncer.

A criação de um dia mundial relacionado à doença é uma iniciativa global organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). A data tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a doença, além de influenciar governos e indivíduos para que se mobilizem pelo controle do câncer evitando, assim, milhões de mortes a cada ano.

O câncer pode ser causado por inúmeros fatores e pode atingir praticamente qualquer órgão do nosso corpo, ou mesmo surgir em um órgão e se espalhar posteriormente. Isso faz com que muitas pessoas encarem o diagnóstico de câncer como uma sentença de morte, mas isso não é verdade.

A maior parte dos tipos de câncer possui sucesso no tratamento quando o diagnóstico é precoce, e algumas formas da doença podem inclusive ser prevenidas – através de hábitos saudáveis de alimentação e exercícios físicos, e em alguns casos inclusive com vacinas!

Neste artigo, conheça duas vacinas que podem prevenir alguns tipos de câncer:

Vacina HPV

O HPV é considerado uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais perigosas, porque ataca a pele e mucosas, o que significa que pode ser transmitido mesmo com o uso da camisinha.

O HPV pode ser dividido em duas classificações: baixo e alto risco de desenvolver câncer. Existem 12 tipos identificados como de alto risco (HPV tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59). Eles têm probabilidade maior de persistir e estarem associados a lesões pré-cancerígenas.

Ainda assim, os tipos 16 e 18 são os mais preocupantes. Segundo o Ministério da Saúde, esses dois tipos estão associados a 70% dos casos de câncer de colo de útero, 90% dos cânceres no ânus, 60% dos cânceres de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar.

Os cânceres de boca e garganta são o 6º tipo no mundo, com 400 mil casos e 230 mil mortes ao ano. A incidência da doença está fortemente relacionada ao HPV e à prática de sexo oral. Esse aumento é cerca de três vezes maior em homens do que em mulheres.

A boa notícia é que temos vacinas contra o HPV disponíveis no Brasil! A vacina QUADRIVALENTE protege contra o HPV 16, 18, 6 e 11 (causadores de câncer e verrugas ou microlesões nas mesmas regiões), essa vacina pode ser aplicada em homens e mulheres.

A vacina anti HPV quadrivalente pode ser encontrada no SUS apenas para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos (pois a prevenção apresenta resultados mais eficazes quando aplicada antes do início da vida sexual). Nessa idade, são indicadas duas doses, com intervalo de seis meses entre elas (0 – 6 meses).

Em clínicas particulares, as mulheres podem tomar a vacina quadrivalente entre os 9 e os 45 anos, e os homens entre os 9 e 26 anos. A partir dos 15 anos, o indicado é tomar três doses: a segunda, um a dois meses após a primeira, e a terceira, seis meses após a primeira dose (0 – 1 a 2 – 6 meses).

Hepatites

 B

As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. É uma infecção que atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas.

Entretanto, quando presentes, podem se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Em casos avançados, a doença por hepatite B e C  pode evoluir para cirrose hepática e hepatocarcinoma (câncer de fígado), e sua transmissão está comumente associada ao sexo desprotegido, transfusão de sangue e compartilhamento de agulhas ou falta de higiene.

No Brasil, as hepatites mais comuns são as causadas pelos os vírus A, B e C. A hepatite C continua notificando maior número de casos: 13 para cada 100 mil habitantes, enquanto as taxas de hepatite B apresentaram discreta tendência de queda nos últimos cinco anos e a hepatite A vem caindo exponencialmente nos último 10 anos, atingindo 1,0/100 mil habitantes em 2018.

Pode-se dizer que as hepatites A e B matam menos pois são preveníveis pela vacina. Elas podem ser tomadas separadamente ou em conjunto. Veja o esquema de doses:

Hepatite B: deve ser tomada em 3 doses: ao nascer, em formulação isolada, e aos 2 e 6 meses de vida, como parte da vacina hexavalente acelular. Aos 4 meses é recomendada a vacina pentavalente acelular. Na rede pública de saúde são oferecidas 4 doses no primeiro ano de vida .

Adultos que não se vacinaram seguem um esquema de três doses, com intervalo de um ou dois meses entre primeira e a segunda doses e de seis meses entre a primeira e a terceira (0-1 a 2 – 6 meses). Portadores de HIV e imunodeprimidos seguem um esquema especial, com doses reforçadas.

Hepatite A: recomenda-se a aplicação rotineira da vacina aos 12 e 18 meses de idade. Para adolescentes e adultos que não se vacinaram na infância, as doses devem ser aplicadas com 6 meses de diferença entre elas (esquema 0 – 6 meses).

Hepatite A+B: deve ser tomada em três doses, no esquema 0-1-6 meses.

Ainda que não exista vacina para hepatite C, os portadores do vírus devem receber as vacinas contra hepatites A e B, a vacina contra gripe todos os anos e a vacina contra pneumonia.

Todas as vacinas são recomendadas pelas sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) e estão disponíveis na Imunocamp!

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