Dezembro Vermelho: um alerta para a Aids e outras ISTs!

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Dezembro vermelho é o mês de conscientização das doenças sexualmente transmissíveis.
Dezembro Vermelho – um alerta para AIDS e outras ISTs

Dezembro Vermelho, simbolizado por uma fita vermelha, é o movimento que tem como objetivo aumentar a conscientização e diminuir o preconceito contra a Aids, o HIV (que não são a mesma coisa) e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Apesar do símbolo da campanha só ter surgido em 1991, quando artistas de Nova Iorque começaram a utilizar a fitinha vermelha, a ideia surgiu alguns anos antes, em 1987, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial da Luta contra a Aids. No Brasil, o projeto Dezembro Vermelho foi adotado em 1988, pelo Ministério da Saúde.

Foi nessa época que muitos famosos sucumbiram à doença, e por isso a Aids ficou na lista de principais doenças do século XX. Com o tempo, a Aids ganhou um tratamento eficaz e o movimento passou a alertar para outras doenças também transmissíveis pelo sexo, com ações de conscientização que se desdobram por todo o mês de dezembro.

HIV x AIDS

Apesar de estarem relacionados, o HIV e a Aids não são a mesma coisa. A Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, uma doença que surge como efeito colateral em pessoas infectadas com o Vírus da Imunodeficiência Humana, o HIV.

Graças ao avanço da medicina e do tratamento eficaz, nem todo portador do vírus HIV desenvolve a doença da Aids, que permanece sem cura. Através de antirretrovirais oferecidos gratuitamente pelo sistema de saúde, um portador de HIV pode viver muitos anos de forma saudável.

Ainda assim, o Brasil apresenta um quadro preocupante para a doença. Entre os anos de 2010 e 2018, enquanto países do mundo inteiro apresentaram uma queda expressiva nos casos, no Brasil houve um aumento de 21% segundo informações da Unaids. O mesmo órgão alerta para o aumento de casos de morte por Aids em 2020, já que a pandemia forçou vários portadores de HIV a pausar seu tratamento durante a quarentena no mundo todo.

O HIV pode ser transmitido através do sexo não protegido, seringas contaminadas ou de mãe para filho na hora do parto. Os principais meios de prevenção, portanto, são o uso do preservativo durante as relações e de seringas e agulhas descartáveis.

HPV

Outra IST que vem preocupando as autoridades de saúde pública é o Papilomavírus Humano, o HPV. Isso porque o vírus ataca a pele e mucosas, o que permite sua transmissão mesmo em relações sexuais com o uso do preservativo, uma vez que as microlesões e verrugas causadas pela doença podem aparecer em locais onde a camisinha não cobre.

Por isso, estima-se que cerca 50% das pessoas sexualmente ativas irão entrar em contato com algum dos mais de 150 subtipos do HPV ao longo da vida. A boa notícia é que a maior parte dos subtipos não é nociva e é geralmente eliminada pelo próprio corpo dentro de 18 meses, em média.

Ainda assim, existem 12 tipos identificados como de alto risco por terem probabilidade maior de persistir e estarem associados a lesões pré-cancerígenas, sendo os tipos 16 e 18 os mais associados aos cânceres genitais e da orofaringe. Outros tipos de HPV parecem não oferecer risco de desenvolvimento cancerígeno, mas os tipos 6 e 11 estão altamente associados ao aparecimento de verrugas e microlesões nas mesmas partes do corpo. 

A boa notícia é que temos duas vacinas contra o HPV disponíveis no Brasil! São elas:

  • A BIVALENTE protege contra os tipos 16 e 18 de HPV (causadores de câncer na vagina, vulva, útero, ânus, boca e garganta) – exclusiva para mulheres;
  • A vacina QUADRIVALENTE protege contra o HPV 16, 18, 6 e 11 (causadores de câncer e verrugas ou microlesões nas mesmas regiões), essa vacina pode ser aplicada em homens e mulheres.


Tomar a vacina contra o HPV não significa que a camisinha pode ser deixada de lado! Ela é responsável por barrar cerca de 70% a 80% da transmissão do HPV, e lembre-se que existem mais de 150 subtipos do vírus, mas as vacinas existentes protegem contra apenas 4 deles!

Hepatite B

É uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) transmitida pelo vírus VHB, que tem predileção por infectar os hepatócitos, as células do fígado. Uma pessoa infectada por ele pode desenvolver hepatite aguda, hepatite crônica (ou ambas) e hepatite fulminante,  e depois de alguns anos, pode evoluir para cirrose ou câncer de fígado.

O vírus VHB está presente no sangue, na saliva, no sêmen e nas secreções vaginais da pessoa infectada. Por isso, pode ser transmitido pelo sexo, transfusões de sangue, da mãe para o bebê na gravidez ou parto, ou através de agulhas, seringas e instrumentos de manicure, pedicure e colocação de piercing infectados.

Por sorte, a Hepatite B também é uma IST prevenível por vacina! Ela deve ser tomada em 4 doses: ao nascer, em formulação isolada, e aos 2 e 6 meses de vida, como parte da vacina hexavalente acelular. Aos 4 meses é recomendada a vacina penta acelular.

Adultos que não se vacinaram seguem um esquema de três doses, com intervalo de um ou dois meses entre primeira e a segunda doses e de seis meses entre a primeira e a terceira (0-1 a 2 – 6 meses). Portadores de HIV e imunodeprimidos seguem um esquema especial, com doses reforçadas.

Neste Dezembro Vermelho, procure informações sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis e previna-se. Use camisinha e procure a Imunocamp!

Fontes: Unaids (https://unaids.org.br/estatisticas/), Secretaria de Saúde de São Paulo, Universidade Metodista, Portal Drauzio Varella, “Guia Prático sobre HPV” (Ministério da Saúde), Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2019 (Ministério da Saúde) e SBIm Família.

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