A luta das mulheres por acesso a saúde!

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Vacina para mulheres
Vacina para mulheres!

O Dia Internacional da Mulher é um dia que marca a luta das mulheres por mais igualdade na sociedade. Entre os vários debates levantados por essa bandeira, a saúde da mulher é uma importante pauta a ser discutida, pois os tabus e as imposições da sociedade sobre a mulher impedem que muitas tenham acesso a esse direito fundamental.

Segundo dados divulgados na “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes”, do Ministério da Saúde, as principais causas de morte da população feminina no Brasil são:

  • as doenças cardiovasculares: infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral;
  • as neoplasias: câncer de mama, de pulmão e o de colo do útero;
  • as doenças do aparelho respiratório, marcadamente as pneumonias (que podem estar encobrindo casos de aids não diagnosticados); 
  • doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, com destaque para o diabetes.

Câncer

O Câncer e seus vários tipos são a maior ameaça à saúde da mulher hoje. No caso das neoplasias, muitas estão relacionadas à efemérides de transmissão sexual, como o carcinoma hepatocelular (pela hepatite B), o carcinoma espinocelular da vagina, da vulva, do pênis, do ânus (por alguns subtipos de HPV e pela aids) e o sarcoma de Kaposi (pela aids).

Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 40% dos cânceres em mulheres são ginecológicos, sendo o mais comum entre esses o câncer de mama (29,7%), seguido dos de colo do útero (7,5%), ovário (3%) e corpo do útero (2,9%). Outros dados do InCa revelam que mais de 90% das mulheres que têm esses tipos de câncer foram antes infectadas pelo HPV, do qual existem mais de 200 subtipos.

Os dados acima nos mostram que pelo menos três das principais causas de morte entre as mulheres são preveníveis por vacina, sendo as vacinas contra HPV, Hepatite B e as pneumocócicas. Assim, fica claro que uma maior atenção à imunização deve ser uma prioridade para a promoção da saúde das mulheres.

Vacinas para mulheres

Conheça essas e outras vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) exclusivamente para mulheres adultas:

• Vacina HPV4 ( HPV quadrivalente )

Considerada uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) mais perigosas, o papilomavírus humano (HPV) pode ser transmitido mesmo em relações com camisinha, uma vez que sua transmissão é feita através de mucosas e causam verrugas e microlesões imperceptíveis que podem aparecer na virilha e outras áreas que a camisinha não cobre.

Dos mais de 150 subtipos de HPV, quatro são especialmente nocivos: os tipos 16 e 18, que podem causar câncer no útero, vagina, vulva e orofaringe; e os tipos 6 e 11, responsáveis pelo aparecimento de verrugas e microlesões nessas mesmas regiões. Estima-se que 80% das mulheres terão contato com essa doença antes dos 50 anos de idade e a vacina é a forma mais eficaz de proteção.

A vacina HPV Quadrivalente protege contra o HPV 16, 18, 6 e 11. O esquema de vacinação é em três doses: 0 – 1 a 2 – 6 meses. Mesmo as pessoas que já entraram em contato com o HPV anteriormente devem se vacinar para se proteger contra os vários subtipos do vírus.

• Vacina combinada hepatite A e B

A vacinação para Hepatite B começa já na saída da maternidade, enquanto a hepatite A aparece no calendário após os 12 meses de vida. Em adultos, a vacina é recomendada para aqueles que tiveram a vacinação incompleta na infância ou que não sabem se já foram imunizados.

A hepatite B é especialmente indicada para gestantes suscetíveis, enquanto a hepatite A é recomendada durante surtos da doença. No intuito de “economizar picadas”, as clínicas particulares oferecem uma vacina combinada contra hepatite A+B, que deve ser tomada em três doses, sendo a segunda 1 mês após a primeira e a terceira 6 meses após a segunda (esquema 0-1-6).

• Vacinas pneumocócicas (VPC13 e VPP23)

A bactéria pneumococo, responsável pela pneumonia, meningite, otite e outras doenças, também ameaça as mulheres. Duas vacinas previnem as infecções dessa bactéria na mulher adulta: a vacina pneumocócica conjugada 13-valente(VCP13) e polissacarídica 23-valente ( VPP23). O número se refere à quantidade de pneumococos que ela previne. 

Para mulheres adolescentes e  adultas, é indicada naquelas com doenças crônicas e imunodepressão, a  vacinação entre 50-59 anos com VPC13 fica a critério médico, e após os 60 anos a vacinação anti pneumocócica é altamente recomendada pelas sociedades médicas, mesmo para os indivíduos sem comorbidades. Para gestantes, é recomendada apenas para aquelas com risco para doença pneumocócica invasiva;

• Dengue

Licenciada para adultos de até 45 anos, a vacina contra a dengue é indicada apenas para pacientes que já apresentaram essa doença anteriormente ou para aqueles que são soropositivos. Deve ser tomada em três doses, com seis meses de espera entre elas (esquema 0-6-12 meses).

• Febre amarela

Normalmente, recomenda-se uma dose única durante a vida, a partir dos 9 meses de idade. Entretanto, não há consenso sobre a duração da proteção dessa vacina, então uma dose de reforço passou a ser exigida para quem tomou a vacina antes dos 5 anos de idade.

Quem reside numa região de risco ou vai viajar também precisa tomar uma dose no mínimo 10 dias antes da viagem, pois alguns países pedem a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), emitido por entidades públicas ou particulares habilitadas para isso.

• Gripe (influenza) — trivalente ou quadrivalente

Todos devem tomar a vacina da gripe anualmente, mas para mulheres gestantes esta vacina é especialmente indicada, uma vez que grávidas são grupo de risco para as complicações da infecção pelo vírus influenza.

A vacina está recomendada nos meses da sazonalidade do vírus, mesmo no primeiro trimestre de gestação. A vacina influenza QUADRIVALENTE (4V) é preferível à vacina influenza TRIVALENTE (3V), por conferir maior cobertura das cepas circulantes. Na impossibilidade de uso da vacina 4V, utilizar a vacina 3V.

Entenda mais sobre essas vacinas:

  • A vacina TRIVALENTE previne contra dois tipos de Influenza A (H1N1 e H3N2) e um tipo de Influenza B; Pode ser encontrada na rede pública de saúde para grupos prioritários (crianças até 6 anos, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas);
  • A vacina QUADRIVALENTE previne contra o A-H1N1 e A-H3N2 e também contra dois tipos da Influenza B (Victoria e Yamagata), que dependem do vírus circulante no ano anterior; Encontrada em clínicas particulares sem restrições de idade.

• Herpes zóster após os 50 anos de idade

Apesar do nome, a Hérpes Zóster é causada pelo mesmo vírus da catapora. Estima-se que uma a cada três pessoas possa ser acometido pela doença ao longo da vida, já que qualquer um que teve catapora em algum momento pode desenvolver a herpes zóster.

Por enquanto, a vacina contra herpes-zóster não está disponível pela rede pública de saúde, mas pode ser encontrada em clínicas particulares de vacinação. O indicado é tomar uma dose a partir dos 50 anos e incluir a vacinação na rotina após os 60.

• Vacina meningocócica B

Existem mais de 15 tipos de meningite, sendo que 12 são causados por tipos diferentes da bactéria meningocócica. Um dos sorogrupos mais comuns, no Brasil é a meningite B. Apesar de ser mais frequente na infância, adultos também podem ser infectados pelo meningococo.

Para mulheres adultas, a vacinação recomendada é de duas doses com intervalo de um a dois meses entre elas. Não se conhece a duração da proteção conferida e, consequentemente, a necessidade de dose(s) de reforço como rotina.

• Vacina Meningocócica conjugada quadrivalente — ACWY

Outros sorogrupos que causam meningite são os provocados pelos meningocócos A, C, W e Y, sendo no Brasil os sorogrupos C e W de prevalência mais relevante   A vacina ACWY protege ao mesmo tempo contra esses quatro tipos diferentes e, por isso, possui efeito mais duradouro, além de economizar picadas. Uma dose basta para imunização, mas a indicação da vacina, assim como a necessidade de reforços, dependerá da situação epidemiológica. Saiba mais sobre meningite ACWY em adultos neste artigo.

• Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto – dTpa

Criada para proteger contra difteria, tétano e coqueluche, é necessário ser tomada a cada 10 anos. Existem dois tipos de vacina Tríplice Bacteriana para mulheres adultas:

  • dTpa: é uma vacina acelular (menos chances de reações adversas) destinada a adultos. Pode ser usada para a dose de reforço prevista para os 4-5 anos de idade e para as doses de reforço na adolescência, vida adulta e terceira idade. Só é encontrada em clínicas particulares ou no SUS para gestantes.
  • dTpa-VIP: também destinada a adultos, inclui a proteção contra poliomielite (VIP). Substitui a vacina dTpa isolada no esquema de doses e é alternativa para viajantes com destinos às áreas de risco para poliomielite. Encontrada apenas em clínicas particulares de vacinação.

• Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) – SCR

Previne contra caxumba, sarampo e rubéola. Para ser considerado protegido, todo indivíduo dever ter tomado duas doses na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses de idade.

Para crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados ou sem comprovação de doses aplicadas, são recomendadas duas doses com intervalo de um a dois meses entre os 20 a 29 anos e dose única entre os 30 e 39 anos.

• Varicela (catapora)

Também conhecida como Catapora, a varicela é uma doença contagiosa causada pela infecção do vírus Varicela Zoster. O contágio acontece por meio do contato com o líquido das lesões cutâneas ou pela tosse, espirro, saliva ou objetos contaminados pelo vírus.

A melhor forma de prevenção e controle é a vacinação, que deve ser feita na infância. Em adultos, a vacina é recomendada para aqueles suscetíveis à doença em duas doses com intervalo de um a dois meses.

Todas as vacinas citadas neste artigo são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) e podem ser encontradas na Imunocamp.

Se o Dia da Mulher é um dia de luta, o autocuidado é revolucionário! Só quando estamos sadias conseguimos dar as mãos para outras mulheres que precisam. Cuidar de si pode ser manter a beleza em dia, fazer uma máscara facial, manter aquele checkup anual ou colocar as vacinas em dia, mas é também ouvir o próprio corpo, a própria intuição e manter-se sã. Incentivar o autocuidado é fortalecer nossa capacidade de cuidarmos também umas das outras e ir atrás do que mais buscamos: liberdade!


Fontes: Calendário SBIm para Mulheres, “Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes” e “Guia Prático sobre HPV”, do Ministério da Saúde.

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