Carnaval, quais as doenças mais comuns e como preveni-las?

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Doenças de carnaval
Doenças de carnaval

O Carnaval está batendo à porta e os foliões já estão preparando as fantasias. O importante é curtir a brincadeira mas fazer isso de forma segura e não deixar de lado a preocupação com higiene ou o sexo seguro que pode desencadear algumas doenças.

Por ser uma época de muita chuva, é comum ver foliões sambando e brincando em cima de poças d’água e comprando bebida de vendedores ambulantes que circulam por essas mesmas poças. Se a água estiver contaminada, algumas doenças podem surgir. Da mesma forma, o excesso de álcool pode fazer com que muitos esqueçam um fator essencial para a saúde sexual – a camisinha!

Conheça algumas das doenças mais comuns no carnaval e previna-se:

Hepatite A

A Hepatite A é causada pelo vírus VHA e é transmitida por via oral-fecal, entre pessoas ou através do consumo de alimentos e água contaminados. Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas podem transmitir a doença mesmo assim.

Mesmo a minoria que possui sintomas pode ter a doença confundida com uma virose, pois os sinais costumam ser febre, dores musculares, cansaço, mal-estar, inapetência, náuseas e vômito. Icterícia, fezes amarelo-esbranquiçadas e urina escura também podem ocorrer.

Não existe um tratamento específico contra a Hepatite A, e caso a doença evolua, pode virar uma hepatite fulminante, que leva à necrose maciça e morte das células hepáticas nas primeiras seis a oito semanas da infecção.

Para prevenir-se no carnaval, passe longe das poças d’água e, se for atingido por respingos, evite levar a mão à boca ou tocar o rosto, pois o vírus sobrevive até 4h na pele das mãos e dedos. Também é bom levar sua própria bebida ou comprar de estabelecimentos comerciais confiáveis, pois se a água contaminada respingar nas latinhas e garrafinhas dos ambulantes, também há risco de pegar a doença.

A melhor forma de prevenção, porém, é vacinar-se contra a hepatite A. Atualmente, existem duas vacinas:

  • Hepatite A: disponível no SUS apenas para crianças de 15 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade; em clínicas particulares para maiores de 12 meses de vida, adolescentes e adultos. Deve ser tomada em duas doses com intervalo de seis meses.
  • Hepatite A+B: disponível apenas em clínicas particulares, previne contra dois tipos de hepatite. Crianças e adolescentes entre 1 e 16 anos devem tomar duas doses com intervalo de seis meses, no caso de uma marca específica (gsk); Acima dos 16, o indicado são três doses sendo a segunda aplicada um mês após a primeira, e a terceira, cinco meses após a segunda.

Hepatite B

A Hepatite B é uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) que costumam dar as caras no carnaval. É causada pelo vírus VHB, que pode ser 100 vezes mais contagioso que o vírus da Aids. Além de relações sexuais, o vírus também pode ser transmitido verticalmente (da mãe para o bebê) ou com uso de drogas injetáveis e transfusão de sangue.

A doença atinge o fígado e pode passar anos sem apresentar sintomas, mas quando apresenta, são náuseas, vômitos, dores no corpo e pele amarelada. Em casos graves, a doença pode evoluir para uma hepatite fulminante, cirrose ou câncer de fígado.

Para prevenir a Hepatite B, é importante sempre usar camisinha e evitar o compartilhamento de objetos pessoais, como lâminas de barbear, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

A principal forma de prevenção, porém, são as vacinas. Existem três atualmente:

  • Hepatite A+B: disponível apenas em clínicas particulares, previne contra dois tipos de hepatite. Crianças e adolescentes entre 1 e 16 anos devem tomar duas doses com intervalo de seis meses( somente para vacinas produzidas pelo laboratório GSK); Acima dos 16, o indicado são três doses sendo a segunda aplicada um mês após a primeira, e a terceira, cinco meses após a segunda.
  • Hepatite B: disponível no sistema público; em bebês, é aplicada em quatro doses (nas 12h primeiras horas de vida e aos 2, 4 e 6 meses); em adolescentes e adultos, três doses com intervalo de um mês entre primeira e a segunda e de cinco meses da segunda para a terceira.

HPV

O papilomavírus humano é outra doença perigosa, e no carnaval o cuidado para evitar essa infecção deverá ser redobrado. A doença preocupa, pois existem mais de 100 subtipos e também porque pode ser transmitida através do contato com mucosas, verrugas ou microlesões.

Isso significa que, mesmo usando camisinha na penetração, o HPV pode ser transmitido por sexo oral ou no contato com verrugas e microlesões na virilha e outras áreas genitais que a camisinha não cobre. Quando elas estão presentes, o contágio ocorre em até 65% das situações.

Estima-se que 75% das mulheres com vida sexual ativa entrarão em contato com algum subtipo do vírus ao longo da vida. Os mais preocupantes são os tipos 16 e 18, que podem causar câncer nas regiões do útero, pênis, ânus ou orofaringe, e os tipos 6 e 11, responsáveis por verrugas no colo do útero, vagina ou vulva, pênis, ânus e garganta.

O maior desafio do combate ao HPV é que os sintomas não são imediatos, podendo levar até 10 anos para causar danos visíveis ou apresentar as verrugas e lesões típicas da doença. Por isso, é importante manter os exames ginecológicos em dia, nunca esquecer a camisinha e tomar as vacinas disponíveis. Atualmente, são duas disponíveis no Brasil:

  • BIVALENTE: protege contra os tipos 16 e 18;
  • QUADRIVALENTE: protege contra o HPV 16, 18, 6 e 11;

A vacina quadrivalente está disponível no SUS apenas para meninas de 9 a 14 anos, e para meninos de 11 a 14 anos (pois a prevenção apresenta resultados mais eficazes quando aplicada antes do início da vida sexual), ou adultos portadores de HIV ou outras imunodeficiências, pacientes portadores de câncer ou transplantados. Nessa idade, são indicadas duas doses, com intervalo de seis meses entre elas (0 – 6 meses). Para pacientes especiais serão necessárias 3 doses (esquema completo).

Em clínicas particulares, as mulheres podem tomar qualquer um dos tipos da vacina entre os 9 e os 45 anos, e os homens entre os 9 e 26 anos. A partir dos 15 anos, o indicado é tomar três doses: a segunda, um a dois meses após a primeira, e a terceira, seis meses após a primeira dose (0 – 1 a 2 – 6 meses).

Todas as vacinas e doses citadas neste artigo são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) e estão disponíveis na Imunocamp, com unidades em Campinas e Piracicaba. Aproveite o carnaval com moderação!

Fontes: Drauzio Varella, Ministério da Saúde e SBIm

https://familia.sbim.org.br/hpv

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